| Introdução
Em boa parte das residências, quem não tem computador faz planos
de ter ou quem possui um modelo antigo tem intenção de adquirir
uma máquina mais moderna. No entanto, a escolha de um PC não é
algo tão simples. Será que simplesmente não vale a pena
fazer um upgrade no computador atual? Será que é melhor comprar
um PC de "marca"? Computadores com placa-mãe onboard é
interessante? Quais peças devo escolher? Este artigo foi criado para
sanar essas e outras dúvidas relacionadas.
Comprar um novo ou melhorar o que tenho?
Como saber se chegou a hora de upgrade em meu computador (adicionar itens
que aumentam a capacidade ou adicionam funcionalidades à máquina)
ou de adquirir um novo? Como proceder para a escolha das peças?
Quando seu computador começa a ficar lento, demora a responder
ou passa a exibir mensagens de erro, pode ser um problema com o sistema
operacional ou com alguma peça de hardware. Aí, neste caso,
talvez o reparo da máquina seja suficiente. No entanto, se quando
você instala um jogo ou qualquer aplicativo novo, a máquina
o executa com lentidão ou dá pequenas travadas, é
sinal de que o PC já não está dando conta dos softwares
atuais. Geralmente, quanto mais recente for um programa, mais capacidade
de hardware ele exige.
Nos casos de rápidos travamentos ou de ligeira lentidão,
um upgrade pode ser a solução mais interessante. Geralmente,
as ações mais eficientes consistem no aumento da capacidade
da memória RAM ou na aquisição de um processador
mais poderoso.
Como exemplo, o jogo Sim City 4, da Maxis, rodando em um computador com
processador AMD Athlon XP de 2.0 GHz, 256 MB de memória RAM e placa
de vídeo 3D com 64 MB tem um desempenho muito melhor se a máquina
tiver 512 MB de RAM. Neste caso, o upgrade - a adição de
um pente de memória RAM de 256 MB - é uma solução
rápida e barata.
Sim
City 4: roda melhor com 512 MB de RAM
No caso de troca de processadores, por exemplo, um AMD Duron de 1.6 GHz
por um AMD Sempron de 2.8 GHz, o desempenho da máquina pode melhorar
muito, principalmente se a memória RAM também for aumentada.
Além disso, para aliviar as despesas, você pode revender
o processador antigo.
Nos casos de computadores antigos, a troca por uma máquina nova
é mais viável, já que as tecnologias atuais muitas
vezes não são compatíveis com PCs antigos. Como exemplo,
não é possível trocar um processador Pentium 100
MHz por um Pentium 4 3.2 GHz, já que ambos os modelos usam recursos
diferentes e não são compatíveis. Neste caso, você
teria que trocar a placa-mãe e se o computador antigo for do padrão
AT, será necessário comprar um gabinete no padrão
ATX. Além disso, de nada adianta ter um Pentium 4 se a máquina
possui pouca memória e, por isso, você terá que adquirir
memória RAM adicional também. Logo, é bem mais viável
comprar um computador novo.
Que componentes escolher?
O bom desempenho de um computador depende da combinação
dos componentes que o compõem. De nada adianta ter um processador
poderoso se o PC tem pouca memória RAM. O fato de 32 MB de RAM
ter sido suficiente há alguns anos atrás, não significa
que será suficiente hoje. Da mesma forma, não é conveniente
colocar um HD cujos discos rodam a 5.400 RPM (rotações por
minuto) em um computador atual, já que o processador não
conseguirá usar toda a sua capacidade do processamento porque o
acesso aos dados do HD é lento.
Assim sendo, a seguir são dadas orientações relativas
aos itens mais importantes: processador, placa-mãe, memória
RAM, HD, drive de CD/DVD, placa de vídeo, monitores e adicionais.
Processador
Este, sendo o "cérebro" da máquina, é
um dos itens que mais influencia no desempenho. A escolha de um processador
deve ser feita observando suas necessidades de uso do computador. Para
aplicações básicas, como execução de
vídeo e áudio, acesso à internet, jogos leves e programas
de escritório, não é necessário adquirir processadores
topo de linha. Para estes casos, processadores secundários (ou
econômicos) são suficientes. No momento em que este artigo
era escrito, a linha secundária da Intel eram os processadores
Celeron D.
No entanto, se você quer um computador para rodar jogos muito pesados
(que possuem gráficos detalhados e em 3D) ou para executar aplicações
pesadas, como softwares para CAD/CAM (produção gráfica),
é bom cogitar a aquisição de processadores mais poderosos,
como a linha Pentium 4 HT, da Intel ou o Athlon 64, da AMD. Esses processadores
são muito rápidos e, conseqüentemente, mais caros.
Também existem processadores de desempenho alto, mas que não
são topo de linha, como a série Sempron, da AMD e alguns
modelos Pentium 4, da Intel. Estes costumam ser eficientes na execução
de muitas aplicações pesadas.
O processador ainda tem outros aspectos que devem ser levados em consideração,
como os caches L1 (Level 1) e L2 (Level 2). O cache funciona como uma
espécie de memória intermediária entre a RAM e o
processador, já que armazena os dados mais utilizados (para saber
mais sobre isso, clique aqui).
Um detalhe importante: os processadores precisam de coolers (uma espécie
de ventilador) para manter a temperatura numa taxa aceitável para
seu funcionamento. Por isso, certifique-se de que o processador que você
for adquirir está acompanhado de um cooler apropriado, do contrário
o computador poderá sofrer instabilidades em seu funcionamento
e até danos.
Placa-Mãe (motherboard)
Este é um item de extrema importância, afinal, é
a peça que interliga todos os outros dispositivos do computador.
A primeira coisa a se observar na escolha de uma é o socket, isto
é, o tipo de conector do processador. Os processadores, mesmo os
que pertencem à mesma família (por exemplo, a linha Athlon
XP, da AMD), podem ter a quantidade e a disposição de pinos
(aquelas "perninhas" que saem do processador) diferentes, de
forma que é necessário um tipo de conector - socket - adequado
a essa combinação. Assim, se por exemplo, um processador
utiliza o conector conhecido como "Socket A", a placa-mãe
deverá ter esse encaixe para ser compatível. Depois, deve-se
verificar se a placa é onboard ou offboard.
Onboard? Offboard?
Quando se diz que um computador é onboard significa que sua placa-mãe
possui um ou mais dispositivos de expansão integrados. Por exemplo:
há placas-mãe que possuem placa de vídeo, placa de
som, placa de rede e outros já "embutidos", sendo que
o convencional é que estes dispositivos venham em placas separadas.
A questão é que, à primeira vista, placas-mãe
onboard são viáveis, pois o comprador não precisará
comprar dispositivos que já vem com ela (a não ser que o
usuário queira). Por outro lado, o desempenho de placas onboard
é geralmente menor, uma vez que o processador acaba tendo que executar
tarefas que até então eram destinados aos dispositivos em
questão. Geralmente, quando o dispositivo integrado é uma
placa de rede ou uma placa de som, o desempenho não é tão
afetado, uma vez que tais itens não requerem muito processamento.
No entanto, o mesmo não ocorre com modems e placas de vídeo
integrados. Este último requer, inclusive, um espaço significativo
da memória RAM. É importante frisar que uma placa-mãe
onboard pode ter um ou mais dispositivos integrados. Verifique com o fornecedor
quais itens vêm nesta condição.
Se a intenção de compra de um computador é para
atividades como acesso aos recursos de internet, edição
de textos, terminal de uma loja ou qualquer outra aplicação
simples, a aquisição de computadores com placas-mãe
onboard é interessante, já que nestes casos não é
necessário o uso de grande capacidade de hardware. No entanto,
caso o computador a ser comprado seja usado para jogos em 3D, aplicações
pesadas ou você simplesmente queira o máximo de desempenho,
a melhor coisa a fazer é comprar um computador com placa-mãe
offboard, isto é, que não possui nenhuma placa de expansão
integrada. Se preferir, uma placa-mãe com rede e som integrado
pode ser interessante, conforme já dito.
Se já tiver alguma placa-mãe em mente, pesquise pelo nome
do modelo em mecanismos de busca, pois muitos sites e fóruns fazem
avaliações de motherboards e assim você poderá
saber se a placa que lhe interessa é tida como boa ou ruim. Observe
também se a peça possui ao menos 4 portas USB (para conexão
de câmeras digitais, impressoras, scanners, etc) e slots de expansão
em quantidade satisfatória (4 PCI e 1 AGP, por exemplo, ou ainda,
slots PCI Express).
Memória RAM
A principal questão em relação à memória
RAM é a sua quantidade. Para rodar sistemas operacionais como o
Windows XP e as últimas versões do Linux com o mínimo
de eficiência, é necessário fazer uso de pelo menos
256 MB de RAM. No entanto, para rodar jogos e aplicações
pesadas, o mínimo recomendável é 512 MB. Se você
tiver um processador rápido, quanto mais memória, melhor.
Quanto ao tipo de memória, prefira sempre os padrões mais
comuns. Evite o uso de tecnologias de memória difíceis de
encontrar porque, nestes casos, o valor da memória e da placa-mãe
aumentam consideravelmente. No momento em que este artigo era escrito,
o padrão em uso é a memória DDR (Double Data
Rate), sendo que a tecnologia DDR2 está começando
a "aparecer".
Foto
de memórias DDR
Hard Disk (HD)
Existem HDs (Disco Rígido em português) que vão de
2 GB (existiram HDs com capacidades menores) até HDs com 500 GB,
sendo que os discos rígidos com grande capacidade são mais
utilizados em servidores. Para o uso doméstico ou em escritório,
há períodos em que uma determinada capacidade está
"na moda", ou seja, é padrão de mercado. A vantagem
disso é o custo reduzido. No momento em que este artigo era escrito,
a capacidade padrão era de 120 GB.
Na escolha de um HD, deve-se considerar não só a capacidade,
mas também a velocidade de rotação dos discos, que
são medidas em RPM (rotações por minuto) e isso está
ligado à interface de comunicação do HD. Discos rígidos
no padrão IDE (Integrated Drive Electronics)
trabalham com rotações de 5.400 RPM e 7.200 RPM (recomendável).
Os discos no padrão SATA
(Serial Advanced Technology Attachment) também
trabalham a 7.200 RPM, mas essa taxa pode ser maior futuramente. Os HDs
com interface SCSI (Small
Computer System Interface) - uma tecnologia de acesso
mais rápida, porém cara - normalmente estão disponíveis
nas velocidades de 10.000 RPM e 15.000 RPM. Quanto maior a taxa de rotação
dos discos rígidos, mais rapidamente o processador conseguirá
lidar com os dados armazenados neles.
É importante verificar qual interface sua placa-mãe suporta
antes de comprar um HD.
HD
IDE
Drive de CD/DVD
Este é um item não-fundamental ao funcionamento do computador,
porém, hoje em dia, é recomendável ter pelo menos
uma unidade de gravação de CDs. Como o DVD está se
tornando padrão, é importante ter um aparelho que pelo menos
leia esses discos. À medida do possível, ter um gravador
de DVDs é o mais adequado, uma vez que estes dispositivos estão
ficando cada vez mais viáveis. A seguir, uma relação
dos tipos de drives de CD/DVD mais comuns:
CD-ROM - serve apenas para ler CDs;
CD-RW (gravador) - serve para ler e gravar CD-Rs e CD-RWs;
CD-RW + DVD-R (combo) - serve como leitor de CD-ROM e de DVD, além
de gravador de CDs;
DVD-RW (gravador) - esse drive é um dos mais completos,
pois lê e gravas CDs, assim como lê e grava DVDs.
Existem também outros tipos de drives, como o Zip Drive, que atualmente
não é muito útil (talvez apenas a empresas para backup),
já que seu preço geralmente é mais elevado que o
de um gravador de CD e sua capacidade de armazenamento é menor.
Também existe o tradicional drive de disquete 3,5" (floppy
drive), cujos discos armazenam o máximo de 1,44 MB que, mesmo estando
cada vez mais em desuso, é recomendável ter.
Monitores
Os tipos mais comuns de monitor são o CRT
(Cathode Ray Tube) e o LCD
(Liquid Crystal Display). O primeiro tipo é
o mais em conta, uma vez que a tecnologia LCD é muito cara, apesar
de seu preço diminuir gradativamente. Na escolha de um monitor
CRT, atualmente, é melhor adquirir modelos com pelo menos 17"
(lê-se o símbolo " como polegadas), já que o
preço desses monitores é um pouco maior que os de 15".
Além disso, é recomendável adquirir modelos que possuem
tela plana, pois estes oferecem um grande conforto visual.
Na escolha de monitores LCD, o ideal é a aquisição
de modelos cujo "refresh rate" (taxa de atualização)
é de no máximo 16 ms. Quanto menor essa taxa, melhor a qualidade
da imagem. É importante estar atento a um detalhe: é comum
encontrar modelos que apresentam os chamados "dead pixels",
pixels que ficam permanentemente brancos na tela. Por isso, pesquise para
saber qual marca de monitor LCD apresenta mais qualidade.
Placa de Vídeo
A placa de vídeo é o item responsável por gerar
as imagens que aparecem em seu monitor. O problema é que existem
tantos modelos disponíveis que acaba sendo difícil escolher
um.
A placa de vídeo precisa de uma memória RAM própria,
principalmente quando trabalha com imagens em 3D. Quanto mais memória,
melhor, no entanto, nem sempre vale a pena pagar pelos modelos que oferecem
esse item em grande quantidade. Estes são bem mais caros (já
que placas de vídeo com grande capacidade de memória geralmente
possuem chips gráficos de última geração),
chegando a ter o mesmo preço de um computador de baixo custo e,
por essa razão, são indicados para usuários que queiram
rodar jogos muito pesados.
As placas de vídeo atuais trabalham ou com o slot AGP (que tende
a cair em desuso) ou com o novo slot PCI-Express.
Verifique com qual tecnologia sua placa-mãe trabalha antes de escolher
uma placa de vídeo.
Placa
de vídeo PCI-Express
Adicionais
Resta falar dos itens adicionais, começando pela placa de som:
no mercado, encontram-se placas desse tipo que são voltadas ao
uso profissional (para músicos) e por isso são muito caras.
Para os usuários convencionais, existem boas placas que oferecem
áudio de ótima qualidade. Por isso, procure modelos que
trabalhem como pelo menos 5 canais de áudio e que sejam compatíveis
com a tecnologia Surround. E claro, para fazer uso pleno dessa
placa, é recomendável adquirir caixas de som compatíveis
com as tecnologias da placa mãe. Marcas bastante reconhecidas de
caixas de som são a Creative e Logitech.
É importante também observar a escolha de mouses e teclados.
Sobre o primeiro, procure por modelos que fazem uso de tecnologia óptica,
pois são mais precisos, duráveis e geralmente possuem pelo
menos 3 botões (sendo um o útil botão de rolagem).
É comum encontrar mouses falsificados, portanto, esteja atento,
uma vez que estes duram pouco ou não funcionam devidamente. Quanto
a teclados, procure um tipo que tenha a pressão das teclas macias
e dê preferência aos modelos ergonômicos, que são
indicados para quem passa muito tempo digitando, uma vez que ajudam a
evitar danos físicos por esforço repetitivo.
Finalizando
A compra de um computador requer atenção a vários
aspectos para aumentar as chances de um bom negócio. Este artigo
deu algumas orientações sobre a escolha dos itens mais importantes
de computador. Mesmo assim, se você se sente inseguro para fazer
uma escolha, peça para alguém com experiência no assunto
te ajudar. Assim, você conseguirá comprar um computador que
sirva às suas necessidades e evitará problemas futuramente. |